O mercado se tornou brutalmente mais competitivo, e isso não vale apenas para grandes empresas ou marcas milionárias. Vale para profissionais, autores, empresários, palestrantes e criadores de conteúdo que disputam atenção, relevância e espaço todos os dias.
Vivemos uma era em que não basta ser bom. É preciso ser lembrado. É preciso construir autoridade, presença e uma identidade clara em meio a um excesso constante de vozes, opiniões e informações. E talvez seja justamente por isso que tantas pessoas acabam se perdendo na tentativa de agradar todo mundo.
Durante muito tempo, eu também fui assim.
O topo nunca foi um lugar reservado para quem nasceu cercado de privilégios. Eu vim de uma realidade simples, sem atalhos, sem sobrenome influente e sem ninguém abrindo portas por mim. Tudo o que construí veio de trabalho, visão e consistência. Mas, antes de entender isso com maturidade, eu acreditava que precisava ser aceita por todos para crescer.
Tentava corresponder às expectativas, evitar conflitos, suavizar posicionamentos e me adaptar demais aos ambientes para não desagradar ninguém. Só que existe um preço silencioso nisso: o esgotamento.
Você começa a perder energia tentando manter versões diferentes de si mesma para públicos diferentes. E, no processo, vai deixando sua autenticidade pelo caminho.
Até que, em uma das minhas últimas conversas com meu mestre e amigo Rubem Alves, ouvi algo que mudou profundamente minha forma de enxergar posicionamento e reconhecimento.
Ele me disse: “Pare de querer agradar a todos. É um esforço inútil, porque a aprovação alheia é inconstante.”
Aquilo me atravessou a alma.
Na hora, foi desconfortável. Porque, no fundo, muitas vezes buscamos aprovação sem perceber. Queremos ser admirados, aceitos, validados. Mas existe uma diferença enorme entre ser respeitado e viver refém da opinião dos outros.
A partir daquela conversa, comecei a compreender que posicionamento exige coragem. E que relevância não nasce da unanimidade.
Pessoas que deixam marcas não são aquelas que tentam caber em todos os lugares. São aquelas que sustentam com clareza quem são, no que acreditam e qual valor entregam ao mundo.
O mercado atual premia autenticidade. Premia consistência. Premia quem entende o próprio valor e sustenta isso no longo prazo, mesmo quando isso significa não ser compreendido por todos.
Porque a verdade é uma só: quando você tenta ser aceito por todos, inevitavelmente deixa de ser relevante para alguém.
E talvez amadurecer profissionalmente seja exatamente isso: parar de gastar energia tentando convencer todo mundo e começar a construir algo sólido o suficiente para atrair as pessoas certas.
A pergunta é: você está construindo autoridade ou apenas esperando reconhecimento?
Por Regina Rocha
Diretora da Provérbios editora